À moda antiga? segunda-feira, fev 1 2010 

Segunda-feira quase comum. Quase, muito quase.
Hoje resolvi adotar costumes das mocinhas de antigamente: ajudar mamãe a cuidar da casa. Seria normal, se não fosse eu. Adotei algumas idéias quase novas enquanto ajeitava a sala, arrumava as camas (como se houvessem duzentas), lavava a louça e meditava. Não que meditar faça parte do serviço doméstico, mas faz bem à saúde, dizem. Enquanto os homens da casa foram ao trabalho ou ao colégio, eu e mamãe cuidamos da casa.
Pois bem, vamos lá:

  • Se você não vai ter uma empregada, tenha uma casa pequena. Suja mais rápido, mas a limpeza é mais rápida também.
  • Ao comprar copos, escolha os com boca larga. É muito mais expressivo, confortável e harmonioso; além disso, é mais fácil para passar a esponja por dentro.
  • Jogue o lixo fora antes que algum infeliz resolva molhá-lo. Experiência própria.
  • Entenda que sua mãe não é maluca por aquela vassoura automática da Polishop à toa.
  • Empregadas são uma dádiva da sociedade, se você tem uma em casa, trate-a com carinho.

Todos esses pensamentos e mais uma penca de outras banalidades me surgiram ao longo do trabalho matinal. Agora sinto fome, e não sei se como alguma coisa agora, ou se já coloco o arroz integral pra fazer primeiro…

Aw, a fucking mind looser. More. A mind cracker. terça-feira, jan 19 2010 

Ah, como dói crescer. Aprendemos, desde o Ensino Fundamental, todas aquelas relações históricas maniqueístas. Mas quem garante a exatidão delas?
Índios, negros e pobres bonzinhos; versus senhores, brancos e ricos malvadões. Toda a maldade humana expressa em atos cruéis de dominadores para com dominados- tudo muito bem encaixado na lógica marxista, uma maneira bem simples de estudar o mundo. Nada contra o marxismo. Vários historiadores seguem essa linha e produzem artigos maravilhosos (Eric Hobsbawm é exemplo claro disso). O problema está no condicionamento das pessoas.
Não se deve atribuir àqueles desprovidos de ensino, público  privado, a causa do pensamento predominante na sociedade brasileira. A maior parte das idéias descritas anteriormente foi espalhada por pessoas bastante estudadas. Tudo com um objetivo, claro. Este varia desde a uniformização étnica dos grupos indígenas, os quais, sabe-se, não formam uma unidade sequer linguística;  até uma identificação como brasileiro, essa união que vigora em época de Copa do Mundo. Enfim, a doutrinação começa nos colégios. São traçados simples paralelos entre ricos e pobres, negros, índios e brancos; o capitalismo é mostrado como a verdade suprema dentro da ideologia ocidental, os Ingleses são frios e cruéis. Enfim, é uma gama de conceitos pré-definidos, baseados em estudos ultrapassados e, muitas vezes, alterados.
Não existe uma única visão correta. São milhares de pontos de vista, geralmente baseados em fatos isolados. Por isso a pesquisa independente se mostra necessária. Não é errado adotar uma determinada ideologia, desde que se faça um estudo anterior a respeito das outras existentes, e é esse o ponto falho do ensino.
Enfim, após anos aprendendo do jeito errado, são poucos os que buscam corrigir essa falha. Por preguiça, falta de tempo ou interesse, perde-se a oportunidade de ler o mundo de formas diferentes. E, após tantos anos pensando desse jeito dualista, vem um livro baseado em estudos sérios para quebrar tudo. Parece fazer uma rachadura ímpar nas mentes desavisadas.

Anotações desconexas quarta-feira, set 2 2009 

1- Não sei de onde vem essa mania de adjetivar títulos.
2- eu tecad trava qando u digito rápdo.
3- Prometi não escrever em primeira pessoa, estou me sentindo quase uma deputada [ou senadora, depende].
4- Soube hoje (ou inferi) que o sigma é símbolo da AIB por esta ser a união (somatório) de uns 5 partidos de orientação fascista.
5- Me inscreverei em 4 vestibulares: puta gasto a toa de $$.
6- Pensando em falar algumas coisas pra minha avó.
7- To com uma saudade do tamanho do universo da minha melhor amiga. =) Logo a verei.
8- Tchuuummm.
9 e final- Eu não to com medo, não tô. Você vai estar comigo. =D E vamos comemorar as coisas juntos. (L)

[Eu precisava.]

Cinco minutos domingo, jul 5 2009 

Cinco minutos é o que basta para que uma mulher faça o oposto ao planejado. Tempo suficiente para mudar de idéia cinquenta vezes e depois decidir deixar tudo como estava antes.
Tudo começa com o MSN. Ela entra decidida a bloqueá-lo. Pensara durante dez ou vinte minutos, ou pelo menos assim parecia, não teria piedade. Era o fim.
A moça abre o programa. Esquadrinha sua lista de contatos e, sim, ele está ali, com o bonequinho verde indicando sua presença no mundo virtual. Decidida, muito decidida, deleta. E bloqueia. Começa, então,  a puxar assunto com metade da lista, reunindo todas aquelas pessoas cujas conversas não ultrapassavam dos cumprimentos. Dois minutos e a decisão já não era assim tão forte.
Bloquear para quê? Ela poderia deixá-lo apenas fora da lista, só para não ter o impulso de falar com ele. Sim, mas deixaria fora da lista.
Abriu o orkut. Tudo continuava praticamente igual ao que deixara no dia anterior, nenhuma mensagem, nenhuma foto, nada novo. Mais um minuto passa e a impaciência começa a tomar conta.
Manter fora da lista por que motivo, afinal? Ora, o importante é ver e não sentir vontade de conversar. Deletando ela nunca saberia se evitou por sua própria força ou se simplesmente esqueceu. Readicionado, agora ela simplesmente não ia mandar a primeira mensagem. O apelido dele parecia saltar da tela, mas ela não ousaria sequer pousar o cursor nele. Mais um minuto.
Ah, que mal há nisso? Ela poderia simplesmente ter uma conversa casual, sem atritos ou momentos sentimentaloides. Afinal, já que ele permanecia entre seus contatos, não falar com ele seria um desperdício de espaço em sua lista.
Mais um minuto e ambos já combinavam o horário do encontro no dia seguinte. E ela só havia ido falar com ele pois estava muito decidida.

Ao meu velho amigo terça-feira, jun 30 2009 

Olá, velho amigo velho! Há tempos não escrevo, porém hoje o dia me encheu de novos humores – todos à base de café-, e a vontade de contar as novidades foi maior do que eu.
Era 7:00. Foi ao deitar que percebi: você havia ido embora. Em nenhum canto do meu cérebro eu pude encontrá-lo.
No seu lugar, outras vozes passaram a ocupar meus dias. Nos felizes, os comentários vinham dotados de uma voz similar às dos meus colegas de colégio; nos mais melancólicos, parecia ouvir repreensões em tom de auto-ajuda. De repente, uma mistura de umas cinqüenta vozes interiores se mesclaram na de uma pessoa só.
E ele é meu amigo novo. Conversa comigo mesmo quando estou ouvindo música, comenta um assunto histórico ou outro, me chama de retardada quando eu fico olhando para o vidro do metrô e tentando imaginar os raios refletindo e refratando…
No meio da tarde é ele quem me aponta os erros idiotas de matemática, aquela linha do enunciado a qual não prestei atenção. É ele quem pergunta se a resposta bate com a pergunta e se o que eu rabisco no meu caderno possui alguma relevância. É insuportável. E necessário. Não sei se sobreviveria a tudo isso sem ele.
Meu amigo novo é uma gracinha. Ele me desafia todos os dias para partidas de quaisquer jogos, aponta minha prateleira só pra lembrar dos Nietzsches abandonados pela metade, da Noite na Taverna esquecida entre meus e-books e, talvez, das tantas ideias abandonadas no meio do caminho. Ademais, ri junto comigo da pseudointelectualidade e da arte de ser prolixo, especialmente quando ninguém mais entende a piada. Internas são o forte dele. Enfim, meu mais novo amigo é tão perfeito e genial que até me lembra você.
Tenha uma boa vida.