Coming out of my cage, and I’ve being doing just fine sexta-feira, dez 17 2010 

Meus pés, assim como meu coração, dóem. O primeiro tem um motivo muito simples: saí com Galëre e sua Gêmea (mais conhecida pelos corredores como Taks). Foi bastante divertido, não fizemos nada de tão diferente (embora só o fato de eu sair antes das 23h seja diferente), ficamos circulando pela Cultura, vendo todos os livros possíveis e comentando aleatoriedades a respeito do mundo mágico do papel. Infelizmente meus compromissos minaram uma possível ida ao cinema (eu não tava com tanta vontade de assistir “Tron”, mas mesmo assim…), então o dia foi composto apenas de andanças e fofocas. 

Agora, vamos ao coração. Eu vi, em meio aos livros da Cultura (e eu sempre quero levar pelo menos uns 6), Os Miseráveis (Victor Hugo) em apenas um volume! Todo bonito, com uma capa preta, folhas amareladas para que a vista não doa, milhões de páginas e com um preço bastante razoável. Alto, nas minhas atuais condições, mas razoável. Pode ser parcelado em 3x sem juros, com disconto do Cultura+, mas eu preciso me impor qualquer tarefa para que me sinta digna desse gasto. Sim, sim, eu tenho uma espécie de esquizofrenia, como Alice, que joga criquet consigo mesma e se auto pune cada vez que um de seus “eus” trapaceia.  De qualquer maneira, eu devo pensar seriamente se 90 reais não arrombarão meu orçamento para os próximos 3 meses. Penso em comprar no fim de fevereiro e me matar pra ler enquanto sou atropelada pelo Direito.

Por fim, o dia foi bastante satisfatório =) E agora preciso rumar para a sinagoga. Dessa vez acho que nenhuma menina do Ashreinu vem, infelizmente, mas já está na hora de colocar os resultados da terapia em prova. Vamos vencer a timidez? i.i Ou escondê-la no armário? Encerro.

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“Babe, this wouldn’t be the first time/ It will not be the last time.” quinta-feira, dez 16 2010 

Ao passear pelos blogs das amigas, – muitos sem atualização, mas com aqueles posts cheios de qualidade deixados para trás – senti uma vontade imensa de voltar a escrever.

Eu sempre tenho a vontade de “voltar” a escrever, eu gostaria de não ter que “voltar”. Já abri a página do WordPress diversas vezes e nada genial me ocorreu: eu deveria voltar com algo genial, aquela (re)entrada no mundo virtual, com direito a (muitos) dois comentários! Mas não. Um retorno triunfal significaria a posterior decadência de conteúdo, e a idéia é me manter na mediocridade, mas me manter. Escrever, nem que seja só por escrever, mas continuar escrevendo; porque em alguma hora o texto será genial. Ou pensarão que está genial, tanto faz, é o público – não o autor – quem decide o que presta ou não.

Enfim, paremos com toda essa metalinguagem inútil e recorrente (a palavra “recorrente” me anima, juro). Vamos às novidades:

Aprendendo alemão.

É um curso fornecido pelo próprio DAAD (Deutscher Akademischer não sei das quantas), com uma professora alemã (e linda *-*). Tem sido muito bom, não só pelo curso em si, mas também pelas pessoas que tenho conhecido (como a Gisele, por exemplo, meu exemplo). Vale a pena faltar ao Ashreinu às quintas-feiras, embora eu desejasse que o alemão fosse às sextas antes do shabat. Enfim, só se pode ter tudo (tetudo! HAHAHAHAHAHAH) em condições financeiras especiais.

Hebraico começando a fazer sentido

É, parece que finalmente eu estou conseguindo decorar alguns verbos e seus infinitivos, embora erre coisas básicas como as letras (às vezes escrevo com uma letra equivalente ao nosso K quando o correto seria escrever com C, mas isso qualquer idioma novo provoca no começo). As frases parecem ter uma estrutura muito similar ao português, e os advérbios não existem, praticamente. Eu corro rápido = Eu corro rapidamente. Simples assim.

Férias da facvldade

Embora eu tenha pego reaval em sociologia (é o que você consegue quando não assiste às aulas nem lê a matéria, nem antes da prova), estou de férias e, provavelmente, minha média será lavada no início do semestre que vem. Eu adoro essa Facvldade. Só não gosto do professor da FFLCH que não fala nada com nada e exige coisas sobre as quais eu sequer tive vontade de ler. Eu deveria estudar mais. Ah, eu deveria, também, voltar a treinar Softball, mas a preguiça me move muito mais aos livros do que ao Campo do XI. Karla me entenderá.

Acho que de novidades, novidades mesmo, não existe nada muito além disso. Espero postar amanhã sobre coisas mais interessantes.

Teoria Geral do Estado?! sexta-feira, abr 2 2010 

Como sempre, é uma idéia idiota, que faz os envolvidos rolarem de rir, e aos transeuntes causa aquela suspeita: seria maconha ou álcool? Pois bem, nenhum dos dois, apenas mais uma das insuportáveis resenhas de TGE, que geram os pensamentos idiotas e absurdos de sempre. A idéia adveio do conceito territorialista (algo como o Estado ter um território rigidamente delimitado e, excetuando-se as áreas coloniais, contínuo): seria o meu cachorro o soberano de um Estado?

Sim, meu cachorro. Ele domina uma área (o quintal), demarca fronteiras de uma maneira bem explícita (mija, e é nojento), tem um grande potencial militar (late, morde) e é habitado por uma gigantesca população de pulgas. Não há uma Constituição em sentido formal, mas materialmente ele dita regras bem interessantes e, assim, detém o monopólio da produção jurídica. Os conflitos, como quando o cachorro do vizinho passa pela rua, são resolvidos por órgãos supranacionais (no caso, eu e o dono do respectivo cachorro), que impedem invasões territoriais e guerras sem sentido…

Paramos por aí. Em breve alguém começaria a suspeitar de drogas realmente pesadas, e o trabalho ainda estava na metade. Acho que o ambiente não era inspirador (fazer uma resenha no Etapa não foi a mais brilhante das nossas inspirações), talvez nas Arcadas meu cachorro participasse da OMS canina.

À moda antiga? segunda-feira, fev 1 2010 

Segunda-feira quase comum. Quase, muito quase.
Hoje resolvi adotar costumes das mocinhas de antigamente: ajudar mamãe a cuidar da casa. Seria normal, se não fosse eu. Adotei algumas idéias quase novas enquanto ajeitava a sala, arrumava as camas (como se houvessem duzentas), lavava a louça e meditava. Não que meditar faça parte do serviço doméstico, mas faz bem à saúde, dizem. Enquanto os homens da casa foram ao trabalho ou ao colégio, eu e mamãe cuidamos da casa.
Pois bem, vamos lá:

  • Se você não vai ter uma empregada, tenha uma casa pequena. Suja mais rápido, mas a limpeza é mais rápida também.
  • Ao comprar copos, escolha os com boca larga. É muito mais expressivo, confortável e harmonioso; além disso, é mais fácil para passar a esponja por dentro.
  • Jogue o lixo fora antes que algum infeliz resolva molhá-lo. Experiência própria.
  • Entenda que sua mãe não é maluca por aquela vassoura automática da Polishop à toa.
  • Empregadas são uma dádiva da sociedade, se você tem uma em casa, trate-a com carinho.

Todos esses pensamentos e mais uma penca de outras banalidades me surgiram ao longo do trabalho matinal. Agora sinto fome, e não sei se como alguma coisa agora, ou se já coloco o arroz integral pra fazer primeiro…

Aw, a fucking mind looser. More. A mind cracker. terça-feira, jan 19 2010 

Ah, como dói crescer. Aprendemos, desde o Ensino Fundamental, todas aquelas relações históricas maniqueístas. Mas quem garante a exatidão delas?
Índios, negros e pobres bonzinhos; versus senhores, brancos e ricos malvadões. Toda a maldade humana expressa em atos cruéis de dominadores para com dominados- tudo muito bem encaixado na lógica marxista, uma maneira bem simples de estudar o mundo. Nada contra o marxismo. Vários historiadores seguem essa linha e produzem artigos maravilhosos (Eric Hobsbawm é exemplo claro disso). O problema está no condicionamento das pessoas.
Não se deve atribuir àqueles desprovidos de ensino, público  privado, a causa do pensamento predominante na sociedade brasileira. A maior parte das idéias descritas anteriormente foi espalhada por pessoas bastante estudadas. Tudo com um objetivo, claro. Este varia desde a uniformização étnica dos grupos indígenas, os quais, sabe-se, não formam uma unidade sequer linguística;  até uma identificação como brasileiro, essa união que vigora em época de Copa do Mundo. Enfim, a doutrinação começa nos colégios. São traçados simples paralelos entre ricos e pobres, negros, índios e brancos; o capitalismo é mostrado como a verdade suprema dentro da ideologia ocidental, os Ingleses são frios e cruéis. Enfim, é uma gama de conceitos pré-definidos, baseados em estudos ultrapassados e, muitas vezes, alterados.
Não existe uma única visão correta. São milhares de pontos de vista, geralmente baseados em fatos isolados. Por isso a pesquisa independente se mostra necessária. Não é errado adotar uma determinada ideologia, desde que se faça um estudo anterior a respeito das outras existentes, e é esse o ponto falho do ensino.
Enfim, após anos aprendendo do jeito errado, são poucos os que buscam corrigir essa falha. Por preguiça, falta de tempo ou interesse, perde-se a oportunidade de ler o mundo de formas diferentes. E, após tantos anos pensando desse jeito dualista, vem um livro baseado em estudos sérios para quebrar tudo. Parece fazer uma rachadura ímpar nas mentes desavisadas.

Anotações desconexas quarta-feira, set 2 2009 

1- Não sei de onde vem essa mania de adjetivar títulos.
2- eu tecad trava qando u digito rápdo.
3- Prometi não escrever em primeira pessoa, estou me sentindo quase uma deputada [ou senadora, depende].
4- Soube hoje (ou inferi) que o sigma é símbolo da AIB por esta ser a união (somatório) de uns 5 partidos de orientação fascista.
5- Me inscreverei em 4 vestibulares: puta gasto à toa de $$.
6- Pensando em falar algumas coisas pra minha avó.
7- To com uma saudade do tamanho do universo da minha melhor amiga. =) Logo a verei.
8- Tchuuummm.

[Eu precisava.]

Cinco minutos domingo, jul 5 2009 

Cinco minutos é o que basta para que uma mulher faça o oposto ao planejado. Tempo suficiente para mudar de idéia cinquenta vezes e depois decidir deixar tudo como estava antes.
Tudo começa com o MSN. Ela entra decidida a bloqueá-lo. Pensara durante dez ou vinte minutos, ou pelo menos assim parecia, não teria piedade. Era o fim.
A moça abre o programa. Esquadrinha sua lista de contatos e, sim, ele está ali, com o bonequinho verde indicando sua presença no mundo virtual. Decidida, muito decidida, deleta. E bloqueia. Começa, então,  a puxar assunto com metade da lista, reunindo todas aquelas pessoas cujas conversas não ultrapassavam dos cumprimentos. Dois minutos e a decisão já não era assim tão forte.
Bloquear para quê? Ela poderia deixá-lo apenas fora da lista, só para não ter o impulso de falar com ele. Sim, mas deixaria fora da lista.
Abriu o orkut. Tudo continuava praticamente igual ao que deixara no dia anterior, nenhuma mensagem, nenhuma foto, nada novo. Mais um minuto passa e a impaciência começa a tomar conta.
Manter fora da lista por que motivo, afinal? Ora, o importante é ver e não sentir vontade de conversar. Deletando ela nunca saberia se evitou por sua própria força ou se simplesmente esqueceu. Readicionado, agora ela simplesmente não ia mandar a primeira mensagem. O apelido dele parecia saltar da tela, mas ela não ousaria sequer pousar o cursor nele. Mais um minuto.
Ah, que mal há nisso? Ela poderia simplesmente ter uma conversa casual, sem atritos ou momentos sentimentaloides. Afinal, já que ele permanecia entre seus contatos, não falar com ele seria um desperdício de espaço em sua lista.
Mais um minuto e ambos já combinavam o horário do encontro no dia seguinte. E ela só havia ido falar com ele pois estava muito decidida.

Ao meu velho amigo terça-feira, jun 30 2009 

Olá, velho amigo velho! Há tempos não escrevo, porém hoje o dia me encheu de novos humores – todos à base de café-, e a vontade de contar as novidades foi maior do que eu.
Era 7:00. Foi ao deitar que percebi: você havia ido embora. Em nenhum canto do meu cérebro eu pude encontrá-lo.
No seu lugar, outras vozes passaram a ocupar meus dias. Nos felizes, os comentários vinham dotados de uma voz similar às dos meus colegas de colégio; nos mais melancólicos, parecia ouvir repreensões em tom de auto-ajuda. De repente, uma mistura de umas cinqüenta vozes interiores se mesclaram na de uma pessoa só.
E ele é meu amigo novo. Conversa comigo mesmo quando estou ouvindo música, comenta um assunto histórico ou outro, me chama de retardada quando eu fico olhando para o vidro do metrô e tentando imaginar os raios refletindo e refratando…
No meio da tarde é ele quem me aponta os erros idiotas de matemática, aquela linha do enunciado a qual não prestei atenção. É ele quem pergunta se a resposta bate com a pergunta e se o que eu rabisco no meu caderno possui alguma relevância. É insuportável. E necessário. Não sei se sobreviveria a tudo isso sem ele.
Meu amigo novo é uma gracinha. Ele me desafia todos os dias para partidas de quaisquer jogos, aponta minha prateleira só pra lembrar dos Nietzsches abandonados pela metade, da Noite na Taverna esquecida entre meus e-books e, talvez, das tantas ideias abandonadas no meio do caminho. Ademais, ri junto comigo da pseudointelectualidade e da arte de ser prolixo, especialmente quando ninguém mais entende a piada. Internas são o forte dele. Enfim, meu mais novo amigo é tão perfeito e genial que até me lembra você.
Tenha uma boa vida.